Bill Gates quer acabar com o capitalismo

Sergio Augusto de Moraes
Outubro/2017
                                                                                                                                                                    
Já que o dono da Microsoft, uma das maiores empresas capitalistas do mundo, não é maluco, a conclusão que pode ser tirada do que diz é que ele tem uma interpretação singular do funcionamento do sistema.
A revista “Exame” de 13/09/2017 relata que Lawrence Summers , ex-secretário de Tesouro americano declarou que “...existem sinais de que agora, com os avanços da robótica e da inteligência artificial, a “destruição criativa” não seja suficiente para suprir os empregos perdidos. ”Não é uma possibilidade futura e hipotética. É algo que está se manifestando diante de nós hoje” diz o ex-secretário.

Pós Trump - uma sociedade americana ainda mais dividida?

"Muitos progressistas pensam que os problemas acabarão quando Trump sair da Casa Branca. Não é verdade. A divisão e a radicalização que está criando terão consequências graves(...)".
O correspondente Henrique Gomes Batista (O Globo, 1/10/2017) ouviu especialistas que já anteveem o aprofundamento das divisões da sociedade norte americana exacerbadas pelo personalismo grosseiro e antipolítico do Presidente.

Democracia em risco – o alerta de Sergio Abranches


Muito se tem falado nesta semana sobre as manifestações públicas de militares em meio a sinais de crise político-institucional. Numa visão histórica em seu artigo "Sinais institucionais da gravidade da crise política" Sergio Abranches desmascara os desastres das intervenções militares e recapitula as duras lições das crises político-institucionais na história da República. Prospecta os riscos presentes, mas em conclusão antevê o caminho democrático ainda possível:

"(...) Em todas as crises houve clara subestimação dos sinais de deterioração da ordem democrática, tanto pelas autoridades constituídas, quanto pelas lideranças que não participavam das conspirações que levaram à sua dissolução(...)".
"(...)Não creio que estejamos na iminência de um novo golpe militar, ou mesmo civil-militar. Mas existe um perigo claro e presente de falência das instituições com gravíssimas repercussões para o futuro imediato do país. Em 2018, teremos a oportunidade de buscar uma solução democrática para essa crise. Mas dependerá das possibilidades de elegermos uma nova liderança, para o Executivo e o Legislativo, que não esteja envolvida na rede de corrupção, nos esforços para acobertar os escândalos ou nas tentativas de interromper as investigações e obstruir a justiça".(Sergio Abranches)

Chile - Três depoimentos sobre o 11 de setembro de 1973

Um outro 11 de setembro

Ferreira Gullar
Folha de São Paulo, 17 de dezembro de 2006
Ao ouvir Allende rogar às pessoas que saíssem às ruas, soube que seus dias estavam contados.

Quando cheguei a Santiago do Chile, em maio de 1973, vindo de Moscou, encontrei o país praticamente parado por uma greve de transportes que só terminaria na tarde do dia 11 de setembro, após consumado o golpe militar que derrubara Allende. Falava-se que a embaixada norte-americana financiava os caminhoneiros, com cinco dólares por cabeça, o que não era pouco, uma vez que eu pagava dois dólares pelo aluguel de um apartamento duplex de três quartos, na avenida Providência; a inflação galopante pulverizara o peso chileno. Agora, com a morte do general Pinochet, a memória me faz reviver aqueles dias avassaladores.

Coreia: cronologia e riscos da escalada das tensões

Ricardo Pessoa da Silva
Bancário Aposentado

A assinatura do Armistício de Panmunjeom, em 27/07/1953, pôs fim ao conflito armado que opôs (desde 25/06/1950) a Coreia do Norte, a China e a URSS à Coreia do Sul e outros países (Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido, etc) capitaneados pelos Estados Unidos. Desde então a península coreana tem experimentado relativa estabilidade, não obstante o clima de tensão que, em maior ou menor grau, tem prevalecido entre os dois países.

TRAVESSIA E ARMADILHAS

                                                         Sergio Augusto de Moraes
    Setembro  de 2017

     Parece que nestes tempos o povo, enojado com a corrupção que grassou no Brasil e castigado pela crise, virou as costas para o mundo político e apenas aguarda 2018 para tentar uma solução. Fazer deste modo tal travessia contém várias armadilhas. Uma delas é deixar que a polarização Lula-Bolsonaro cresça e chegue a outubro do próximo ano como a alternativa mais forte, o que, dentre outros males, elevaria o  absenteísmo, o voto nulo e em branco a patamares nunca antes atingidos. Outra é deixar espaço  para o Governo Temer e o Legislativo,  juntos, empurrados pelo que têm de pior, anulem o trabalho da Lava-Jato.

As forças democráticas diante do amanhã


Do artigo de Marco Aurélio Nogueira, "A segunda chance de Temer" (Estadão 3/08/2017), quanto à presente desarticulação do campo democrático:


"(...)Temer não ficará sangrando em céu aberto, ainda que parte de suas vísceras estejam expostas. Pesará nada em sua sucessão, com poder zero para influenciá-la. Há uma interrogação flutuando sobre ele: como chegará até o fim? Lula tem imensos problemas e até os passarinhos do Planalto sabem que sua eventual candidatura é mais um problema que uma solução, inclusive para ele próprio. Bolsonaro segue em busca de um partido e de uma plataforma civilizada, fazendo o possível para cortejar a direita, os ressentidos e os incautos. Tucanos estão em revoada, sem saber em que galho pousar. E Marina está, por enquanto, em fase de aquecimento(...)".
"(...)A vasta e pouco estruturada área democrática do país permanece na expectativa, em stand-by, sem saber o que lhe reservará o dia de amanhã".

Renovação, Propostas e Diálogo


Fabio Giambiagi, em seu artigo "A hora da Política" (O Globo, 1/08/2017) propõe um encaminhamento para a organização das forças democráticas face aos embates que se avizinham com as eleições de 2018.

"(...)Neste imenso espaço territorial convivem todo tipo de credos, empresários, trabalhadores, entidades patronais, sindicatos, fortíssimos grupos de pressão encastelados na administração pública, a Igreja como instituição, uma profusão de grupos defensores do meio ambiente, diversas correntes de opinião, uma mídia cada vez mais atuante, etc. Quem julgar que poderá conduzir essa espécie de “Arca de Noé” da diversidade que é o Brasil na base, pura e simplesmente no grito, está redondamente enganado. Não haverá saídas para o País, no atual contexto, baseadas em soluções autoritárias ou messiânicas(...)".

"(...)Não há como, numa democracia, haver progresso sem diálogo entre as forças políticas. Para o bem do país, precisamos que as próximas eleições tragam três novidades. Primeiro, uma renovação da classe dirigente, com o surgimento de lideranças que estejam isentas dos vícios daquelas que estão sendo “varridas” pelos efeitos da Lava-Jato. Segundo, um debate efetivo de propostas, e não o marketing vazio das últimas campanhas eleitorais. E, terceiro, capacidade de diálogo entre as principais forças que resultarem do pleito eleitoral. Há uma enorme massa de cidadãos que clama por isso".



O Primeiro Passo


Alfredo Maciel da Silveira - Julho/2017


Há de haver saída. Positiva, democrática, para a crise social e política de dimensão histórica em que brasileiros estamos perigosamente atolados.

O primeiro passo é reconhecer sem subterfúgios, sem nenhuma ilusão ou ingenuidade, os riscos imediatos a que estamos expostos enquanto sociedade.

Não se trata de capitular diante das "fraquezas", diante das reiteradas e bem conhecidas tradições autoritárias, elitistas, excludentes, patrimonialistas, clientelistas, dependentes, de nossa formação econômica e social. Nem diante de fenômenos negativos novos tendo, numa das faces, um capitalismo selvagem e sua emergente burguesia predadora, anti-republicana e, noutra face, um lumpen proletariado sempre receptivo às mais perversas bandeiras populistas e fascistas.

Forças da renovação certamente já estão presentes como potenciais herdeiras das lições, da cultura, dos avanços institucionais e das conquistas das lutas democráticas.

Em recente artigo publicado no Estadão,"O País Possível", Marco Aurélio Nogueira nos oferece justamente aquele primeiro passo, rasgando toda e qualquer fantasia, desnudando impiedosamente o tamanho dos riscos que nos cercam nestas eleições de 2018 que já se aproximam. Não deixa pedra sobre pedra.

Mas neste seu indispensável texto M. Aurélio descortina o campo do debate e da ação das forças democráticas e republicanas, a requerer a elaboração de um programa mínimo que possa uni-las com vistas às eleições de 2018.